À Sombra dos Eucaliptos

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O falso leading case do São Paulo

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Após a inevitável decisão liminar que devolveu a Oscar o direito de trabalhar onde ele quiser, os dirigentes do SPFC seguiram com sua procissão de lamúrias.  Terminada a peça dantesca – que se poderia intitular “Como era doce o meu TRT” –, prosseguiram o espetáculo de circo com o método de sempre: envolver a opinião pública em um pântano de meias verdades. Esquecida do caso André Dias/Goiás, agora, à cúpula são-paulina restou somente chorar ácidas lágrimas de crocodilo. Seria cômico se não fosse de uma desfaçatez do tamanho do Morumbi.

O primeiro golpe de cinismo é a histeria em proclamar, no caso, um diabólico precedente, um leading case made in Paraguaipelo qual contratos não serão mais respeitados. Novo defensor da estabilidade das relações consensuais, o São Paulo e sua amnésia esquecem o fundamental: quando Oscar assinou com o Inter, era um jogador livre por decisão judicial. Desconsiderar isso é de um absurdo total: se trabalhadores tivessem de esgotar todos os recursos para voltar a trabalhar, a Justiça do Trabalho não teria razão de ser. Seria mais fácil resolver tudo no grito – coisa que o SPFC, por sinal, gosta de fazer. Ou ao menos tentar.

Outro engodo é a questão do pseudoaliciamento. Com poucas razões jurídicas, o SPFC precisava construir, para as manchetes dos jornais, um inimigo moral, um comedor de criancinhas que alicia pobres jogadores de futebol a prestarem serviços forçados pelos campos mundo afora. Tratando-se do Inter, que duas vezes calou o Morumbi, a fome juntou-se como nunca à vontade de comer. A decisão do Ministro do TST simplesmente desmoraliza a fábula jurídica parida pelo TRT paulista e, por tabela, pulveriza o processo por aliciamento – que o desastrado STJD, ontem mesmo, suspendeu silenciosamente para não dar mais vexame. É como se o mundo virasse de cabeça para baixo: enquanto mais o jogador diz que quer o Inter, mais o SPFC diz que ele foi aliciado.

O SPFC está derrotado juridicamente. Receberá a multa rescisória a que tem direito, e nada mais. Com a verborragia típica dos desesperados, tentou estampar nos jornais a sua versão como se fosse a única possível. Do seu fracasso, agora, restou somente um falso leading case, incapaz de resistir à mais superficial das análises. No fim, só vai restar-lhe chorar, mais uma vez, várias lágrimas de crocodilo.

E assistir aos jogos de Oscar pela televisão.

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4 Comments

  1. O que impressiona também é a denúcia feita pelo STJD contra o INTER e o LUIGI, ridídula e sem fundamento nenhum.

    Como está desmoralizada a Justiça Desportiva, uma politicagem de causar vergonha!!

    Como é que o LUIGI vai “entregar” o OSCAR ao São Paulo, caraleo !!

    O ruim é ficar ouvindo flauta de gente ignorante e sem noção, porque o desfecho da história todos já sabiam: tudo vai se resurmir a acerto financeiro, ou Oscar negociado pro exterior para arcar com o respectivo acerto financeiro.

    O objetivo do sao paulo foi simplesmente tentar prejudicar ao máximo o Inter e o próprio Oscar, tentando causar – e vem causando – a maior demora possível para o desfecho da situação.

    Bastante estranho para um clube como o São Paulo, que não está em disputa direta com o INTER neste primeiro semestre (1 está na libertadores o outro na Copa do Brasil) e também não precisa desse tipo de atitude, pois é o clube mais vencedor do país, e um dos mais novos clubes entre os grandes.

    Que feio São Paulo!

  2. Parabens pelo texto, eu só lamento é que o atual presidente da cbf é aliado dos bambis, e segundo alguns blogs paulistas, a cbf vai enrolar o máximo possível para inscrição do Oscar no BID.

  3. ótimo texto Daniel, com a precisão de quem conhece a área.

    um absurdo o que o spfc tenta pregar que será trágida a decisão para os clubes.

    ora, o tst (e acredito que no julgamento do rr) não retirou o direito de eventual indenização em caso de manutenção da rescisão por vontade do oscar.

    não tem nada de perigoso para os clubes, que terão de ser indenizados quando um jg sair por vontade rópria do clube.

    abraço

  4. É isso daí! Parabéns.

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